terça-feira, 7 de novembro de 2017

A União Ibérica e a Restauração

Batalha de Alcácer Quibir

04-08-1578
            O dia 4 de Agosto marca o maior desastre da história militar portuguesa, não só pelo número de militares envolvidos mas também pelas consequências trágicas que teve. A batalha de Alcácer Quibir (ou batalha dos três reis) marca o princípio do fim da II dinastia portuguesa e do período do império português da Índia e é o prenúncio de um período de 60 anos em que o reino de Portugal foi governado por um monarca estrangeiro.
            Tendo sido decidido atacar o norte de África para tentar aliviar a pressão que se fazia sentir sobre as fortalezas portuguesas, começou a formar-se um exército sem grande pressa o qual era constituída por um total de 17.000 homens, dos quais 5.000 eram mercenários estrangeiros.

  A armada parte de Lisboa a 25 de Junho de 1578, faz escala em Cadiz e aporta a Tanger, seguindo depois para Arzila. Aqui é cometido o primeiro erro crasso, pois a tropa é mandada seguir a pé de Arzila para Larache, quando o percurso poderia ser feito por via marítima. A partir de Larache, a força afasta-se da costa em direcção a Alcácer Quibir. Há que notar que no século XVI, grande parte das vitórias portuguesas dá-se na zona costeira, onde é possível fazer valer a vantagem do poder de fogo dos navios de guerra portugueses. Longe dos navios e enfrentando o calor de uma zona quase desértica um exército superior em número e combatendo no seu território, as cautelas deveriam ter sido muito maiores.           
O rei recusou-se terminantemente a ouvir os conselhos dos capitães mais experientes, que achavam que o exército se devia manter próximo dos canhões dos navios. Alguns comandantes perante o absurdo da decisão chegaram a falar em prender o rei para o impedir de cometer tal loucura.
As forças muçulmanas, entendiam muito bem que não poderiam enfrentar os portugueses próximo da costa, e não avançaram em direcção a norte, preferindo que fossem os portugueses a tomar a iniciativa.
A 4 de Agosto, depois de uma marcha de 7 dias, as forças portuguesas encontram o exército mouro que, segundo algumas referências, atinge 60.000 homens. A batalha resulta na perda de metade do efectivo das forças portuguesas que morre na batalha e a outra metade é feita prisioneira.
O rei, terá alegadamente morrido na batalha, e a sua morte ficou envolvida num mistério que perdura, mesmo séculos depois.

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A União Ibérica
(síntese)



A D. Sebastião sucede o seu tio-avô, o Cardeal D. Henrique, que por sua vez morre em 1580, sem sucessores.
Surgem então como pretendentes ao trono:
  • Filipe II, rei de Espanha;
  • D. António, prior do Crato;
  • D. Catarina de Bragança.
Os portugueses dividem-se:
  • o povo, para não perder a independência, apoia D. António, prior do Crato;
  • a nobreza, o clero e a burguesia apoiam Filipe II, rei de Espanha, esperando assim obter privilégios e riqueza. 
















Filipe II invade Portugal e D. António organiza a resistência aos invasores mas é derrotado na Batalha de Alcântara, em 25 de Agosto de 1580. Assim, em  1581 nas Cortes de Tomar, Filipe II  é aclamado rei de Portugal, dando-se início a  um novo período na história do nosso país: a união dinástica.

·         Condições da União:
a)       Autonomia de Portugal;
b)       Respeito pelos costumes, leis e liberdade;
c)       Nomeação de portugueses para o governo português

·         Medidas favoráveis:
a)       Os portugueses podiam exercer funções em Espanha;
b)       As rendas e as terras em Portugal só eram atribuídas a portugueses;
c)       O comércio da Índia e da Guiné era exclusivo dos portugueses;
d)       Os portugueses podiam circular por todo o Império Espanhol;
e)       Foram suprimidas as barreiras alfandegárias;
f)        A língua e a moeda mantiveram-se.

·         Conclusão: até 1620 a União Ibérica foi bastante positiva para Portugal.

 A crise do Império Espanhol e a Restauração da Independência de Portugal (síntese)

Agravamento da situação económica (depois de 1620)
a)       Diminuição das remessas de ouro e prata da América Latina;
b)       Guerras com a Holanda, a França e a Inglaterra;
c)       Dívidas com o exterior (empréstimos);
d)       Diminuição demográfica (guerras, pestes, expulsão dos mouros e dos judeus)

Consequências para Portugal
a)       Grande aumento dos impostos;
b)       Mobilização dos soldados portugueses;
c)       Tentativas de eliminar a política de autonomia

 Reacção portuguesa
a)       Organização da luta para restauração da independência;
b)       Levantamentos populares por todo o país;
c)       Revolta dos nobres em Lisboa, a 1 de Dezembro de 1640: pôs fim aos 60 anos de domínio espanhol (Restauração da Independência de Portugal!)




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